Estamos formando professores para o passado? Como a pandemia e a inteligência artificial estão redefinindo a docência

Estamos formando professores para o passado? Como a pandemia e a inteligência artificial estão redefinindo a docência

Nos últimos anos, a formação de professores deixou de viver mudanças graduais para enfrentar uma verdadeira aceleração histórica. A pandemia obrigou instituições e educadores a reorganizarem, quase sem aviso, suas formas de ensinar, aprender e se relacionar com os estudantes. Agora, a inteligência artificial amplia ainda mais esse deslocamento e coloca uma nova camada de complexidade sobre a docência.

Se antes a grande discussão era como inserir recursos digitais no cotidiano educacional, hoje a pergunta é mais profunda: que tipo de formação docente faz sentido em um cenário no qual o conhecimento circula de forma abundante, as respostas são geradas em segundos e as fronteiras entre autoria, mediação e aprendizagem se tornam cada vez mais difusas?

As reflexões que conduzem este artigo partem das contribuições do Prof. Dr. William Bellani, coordenador da Iniciação Científica da Faculdades Pequeno Príncipe (FPP). Com base em suas análises sobre os impactos da pandemia e os desafios trazidos pela inteligência artificial, o texto propõe um olhar sobre os caminhos, as tensões e as competências que passam a marcar a formação docente contemporânea.

Essa é uma das discussões que ganha força no XII Fórum Nacional de Metodologias Ativas de Ensino-Aprendizagem na Formação em Saúde e no III Seminário Brasileiro de Curricularização da Extensão, que acontecem de 27 a 30 de maio de 2026, em Curitiba, com o tema norteador “Inovar para Transformar: Metodologias Ativas de Ensino-Aprendizagem e Responsabilidade Social Rumo ao Futuro”. No evento, o Prof. William será um dos palestrantes a aprofundar essa temática.

A proposta dos encontros é justamente reunir docentes, gestores, estudantes e especialistas para refletir sobre inovação pedagógica, avaliação, currículo e compromisso social no ensino superior. 

 


A pandemia não trouxe apenas tecnologia: ela mudou o papel do professor

Para o Prof. William Bellani, um dos pontos centrais dessa transformação é que a pandemia acelerou um movimento que já estava em curso, mas o fez de maneira abrupta: a incorporação das tecnologias digitais ao processo de ensino-aprendizagem.

Mais do que isso, ela escancarou uma mudança de paradigma.

O papel do professor, tradicionalmente associado à transmissão de conteúdo, passou a ocupar de forma ainda mais evidente a função de mediador, curador e designer de experiências de aprendizagem. Em vez de apenas expor conteúdos, tornou-se necessário organizar percursos, selecionar referências, interpretar contextos, acolher diferentes realidades e criar estratégias mais flexíveis.

Essa transformação não aconteceu só porque as aulas migraram para o digital. Ela aconteceu porque a pandemia expôs, com força, uma realidade que já estava diante de nós: ensinar não é apenas repassar informação. É criar condições para que a aprendizagem aconteça com intencionalidade, sentido e vínculo.

O que permaneceu depois da urgência?

Passado o momento mais crítico, muita coisa ficou.

Modelos híbridos, ambientes virtuais de aprendizagem, maior abertura para metodologias ativas e uma valorização crescente da autonomia dos estudantes deixaram de ser exceção em muitas instituições. Ao mesmo tempo, consolidou-se uma percepção que parece cada vez mais importante: a tecnologia, sozinha, não garante o aprendizado.

Talvez esse seja um dos tópicos mais relevantes do período. Não basta digitalizar conteúdos, multiplicar plataformas ou adotar ferramentas novas. Sem uma arquitetura pedagógica clara, o risco é apenas trocar o formato sem transformar a experiência.

É justamente nesse ponto que a discussão sobre formação docente ganha profundidade. Porque, no fim das contas, o desafio não é apenas dominar recursos. É saber por que, quando e com qual objetivo pedagógico utilizá-los.

A inteligência artificial amplia a mudança, mas inaugura novos impasses

Se a pandemia acelerou a digitalização, a inteligência artificial tensiona ainda mais o modelo tradicional de ensino.

Segundo William, a IA atua em duas frentes ao mesmo tempo. De um lado, aprofunda transformações que já vinham acontecendo, como a personalização do ensino, a automação de tarefas e o acesso ampliado à informação. No outro, inaugura desafios inéditos, especialmente em temas como autoria, avaliação da aprendizagem, ética, privacidade e vieses algorítmicos.

É aqui que a discussão deixa de ser instrumental e passa a ser estrutural.

Porque, quando uma ferramenta consegue gerar respostas, sintetizar textos, organizar ideias e até propor soluções em poucos segundos, a educação é forçada a rever algumas perguntas fundamentais: o que significa aprender? O que significa produzir conhecimento? Como avaliar competências de forma consistente?

Talvez o ponto mais delicado esteja justamente aí: a IA não exige apenas atualização tecnológica. Ela exige maturidade pedagógica.

Sem essa mediação, o risco é cair em dois extremos igualmente problemáticos: ou rejeitar a tecnologia por medo, ou adotá-la com entusiasmo acrítico, como se toda inovação fosse, automaticamente, sinônimo de melhoria.

O perigo do tecnocentrismo

Quando se fala em inteligência artificial na educação, um dos equívocos mais comuns é imaginar que a tecnologia, por si só, resolverá problemas históricos da formação. Mas essa promessa simplifica demais uma realidade complexa.

Um uso superficial da IA pode comprometer o desenvolvimento do pensamento crítico, enfraquecer processos autorais e até ampliar desigualdades, sobretudo quando faltam repertório, mediação qualificada e critérios éticos claros. Em vez de apoiar a aprendizagem, a tecnologia pode se tornar apenas um atalho vazio: eficiente na forma, mas pobre em profundidade. 

Por isso, discutir IA na docência não é discutir modismo. É discutir projeto pedagógico.

Que tipo de autonomia queremos desenvolver nos estudantes? Que lugar a autoria ocupa? Como lidar com o excesso de informação? Como construir avaliações mais coerentes em uma era de respostas instantâneas? E, talvez mais importante: como formar professores que consigam tomar decisões conscientes diante de tudo isso?

Competências inegociáveis para a formação docente

Nesse novo cenário, algumas competências deixam de ser diferenciais e passam a ser centrais. 

Entre elas, estão o domínio pedagógico ampliado, o uso crítico de metodologias ativas, o letramento digital, a compreensão ética da inteligência artificial, a curadoria de informações, a flexibilidade diante de contextos em transformação e o desenvolvimento de competências socioemocionais, como empatia, comunicação e escuta ativa.

Não se trata de formar professores “mais tecnológicos” apenas. Trata-se de formar professores mais preparados para interpretar contextos, fazer escolhas pedagógicas conscientes e sustentar experiências de aprendizagem mais significativas.

Em outras palavras: a formação docente do presente talvez dependa menos de ensinar a operar ferramentas e mais de desenvolver a capacidade de discernir o valor, o limite e a intenção de cada uso.

A pergunta que as instituições não podem mais adiar

Entre tantas mudanças, talvez a provocação mais urgente seja a que o próprio Prof. Dr. William Bellani propõe: estamos formando professores para o passado, para o presente ou para um futuro que ainda não compreendemos plenamente?

A força dessa pergunta está em mostrar que adaptação já não basta.

As instituições de ensino são chamadas, cada vez mais, a rever currículos, práticas avaliativas e modelos formativos. Não para seguir tendências de maneira automática, mas para construir uma formação docente capaz de responder, com criticidade e responsabilidade, aos desafios de um tempo em mutação.

No contexto das metodologias ativas, essa discussão se torna ainda mais estratégica. Afinal, colocar o estudante no centro da aprendizagem exige também reposicionar o professor – não como alguém esvaziado pela tecnologia, mas como alguém ainda mais necessário para dar direção, sentido, mediação e profundidade ao processo educativo.


Uma conversa que precisa começar agora

É justamente por isso que essa reflexão não pode ficar restrita ao evento em si. Ela precisa começar antes, circular entre pares, mobilizar dúvidas e provocar reposicionamentos.

No XII Fórum Nacional de Metodologias Ativas de Ensino-Aprendizagem na Formação em Saúde e no III Seminário Brasileiro de Curricularização da Extensão, essa pauta estará no centro do debate, em um encontro presencial que reunirá diferentes olhares sobre inovação pedagógica, currículo, avaliação e desenvolvimento docente. 

Para quem deseja acompanhar essa discussão de perto, as inscrições simples seguem até 24 de maio de 2026, e as submissões de trabalhos vão até 17 de abril de 2026.

Porque, diante de tantas transformações, talvez a pergunta mais urgente já não seja se a educação vai mudar. A pergunta é: como vamos escolher mudar com ela?

 

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