Aprender e construir soluções coletivas através da análise de casos clínicos reais ou hipotéticos. Essa é a premissa do Case-Based Collaborative Learning, o CBCL (em português, Aprendizagem Colaborativa Baseada em Casos), uma metodologia ativa de ensino criada por pesquisadores da Harvard Medical School (HMS), nos Estados Unidos.

Metodologia CBCL está presente nas salas de aula da FPP desde 2018 (Foto: FPP)
No Brasil, a Faculdades Pequeno Príncipe (FPP) é pioneira no uso e no desenvolvimento de pesquisas sobre a abordagem. Desde 2018, a instituição utiliza o CBCL como método de ensino nas salas de aulas da graduação.
A implementação iniciou nos cursos de Farmácia e Biomedicina através de uma capacitação docente conduzida pela professora Rosiane Guetter Mello, diretora de Pesquisa e Pós-Graduação da FPP. “Depois, o CBCL foi implementado nos currículos da Nutrição, da Fisioterapia, da Enfermagem… Hoje em dia, todos os cursos da FPP utilizam essa metodologia no processo de formação, inclusive algumas especializações”, destaca a diretora.
Ao mesmo tempo em que a metodologia era incorporada aos currículos da graduação, a produção científica sobre o CBCL também avançava dentro do Programa de Pós-Graduação em Ensino nas Ciências da Saúde (PECS) da FPP.
Uma das pesquisas sobre o tema foi a dissertação do professor e médico Rafael Carvalho, orientado pela professora Rosiane e co-orientado pela professora Camila Marques. Durante o mestrado, ele aplicou o CBCL em uma turma de estudantes de Medicina de uma universidade privada, no interior de Minas Gerais.

Rafael, ao lado das professoras Camila Marques (à esquerda) e Rosiane Guetter Mello (à direita). (Foto: Arquivo Pessoal)
“Nós analisamos a percepção de estudantes do 2º período utilizando um caso clínico de fisiologia cardiovascular. O resultado foi bem positivo. Todos eles se envolveram e, ao final, relataram que a metodologia foi realmente promotora de raciocínio clínico e reflexivo”, conta Rafael.
O trabalho também apontou maior participação dos estudantes em sala de aula, fortalecimento do trabalho em equipe e aproximação entre teoria e prática. “No CBCL, o aluno precisa estudar previamente, discutir suas ideias com os colegas, argumentar e construir uma resposta coletiva. Isso transforma a sala de aula em um espaço de discussão e não apenas de transmissão de conteúdo”, complementa a professora Camila.
A pesquisa foi concluída em 2023 e parte dos resultados deu origem ao primeiro artigo científico sobre o uso do CBCL no Brasil. Intitulado “Perception of medical students on the use of Case-Based Collaborative Learning (CBCL) in the human physiology course” (em tradução, Percepção de estudantes de Medicina sobre o uso da Aprendizagem Colaborativa Baseada em Casos na disciplina de Fisiologia Humana), o artigo foi publicado pela revista científica Educación Médica, em 2024.

Artigo é assinado por pesquisadores do PECS-FPP e da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)
“A pesquisa mostra que é uma metodologia que funciona e que atende aos nossos objetivos. É uma publicação que nós temos um orgulho enorme por sermos pioneiros e por termos ela publicada em uma revista internacional bem pontuada como a Educación Médica”, afirma a professora Rosiane, também autora do artigo.
Para Rafael, desenvolver esse trabalho trouxe aprendizados que ele utiliza diariamente como professor. “O mestrado agregou muito à minha prática docente, sobretudo na minha visão sobre metodologias ativas de ensino. Hoje, aplico o CBCL em sala de aula e imprimo todo o conhecimento que recebi das minhas orientadoras e demais professores do PECS no meu dia a dia”, ressalta Rafael.
Os avanços na pesquisa científica sobre o CBCL

Livro organizado pelas professoras Rosiane e Camila foi lançado em maio de 2026, no XII Fórum Nacional de Metodologias Ativas (Foto: FPP)
As experiências com o uso do CBCL na Faculdades Pequeno Príncipe também resultaram na publicação de um livro, lançado neste ano. A obra “Case-Based Collaborative Learning: fundamentos, prática e casos clínicos na Educação em Saúde” reúne desde a fundamentação teórica até a aplicação prática do método.
Dividida em dez capítulos, a publicação traz casos clínicos reais e mostra como o método contribui para formar profissionais mais reflexivos e preparados para lidar com o cotidiano assistencial.
Em junho deste ano, as professoras Rosiane e Camila também tiveram um artigo publicado na BMC Medical Education, revista científica britânica de alto impacto. Desenvolvida em parceria com pesquisadores de universidades dos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido, a publicação traz mais um relato de experiência da aplicação do CBCL no Brasil.
Intitulado “Implementation of case-based collaborative learning in radiology residency: experience report of an international educational experience adapted to the Brazilian context” (em português, Implementação da Aprendizagem Colaborativa Baseada em Casos na Residência em Radiologia: relato de uma experiência educacional internacional adaptada ao contexto brasileiro), o estudo demonstra como o CBCL também é um método de ensino efetivo para outros níveis de formação em saúde, como é o caso dos programas de residência.
“É uma metodologia que continua sendo pesquisada e ampliada. Então espero que a gente tenha avanços e novidades pela frente”, pontua a professora Rosiane.
“A partir do trabalho da professora Rosiane, passamos não apenas a utilizar uma metodologia inovadora, mas também a produzir conhecimento científico sobre sua aplicação e seus efeitos na formação em saúde. Para mim, é muito significativo fazer parte desse pioneirismo da FPP”, conclui a professora Camila.
CBCL: uma metodologia de ensino baseada em colaboração e participação


















