Entre os dias 27 e 30 de maio, Curitiba foi palco de um dos maiores eventos científicos de ensino da área da saúde: o XII Fórum Nacional de Metodologias Ativas de Ensino-Aprendizagem e o III Seminário Brasileiro de Curricularização da Extensão. Promovido pela Faculdades Pequeno Príncipe (FPP), o encontro reuniu pesquisadores, docentes, estudantes e especialistas de diversas regiões para debater temas emergentes, como práticas inovadoras de ensino, o uso da inteligência artificial e o futuro da educação em saúde.
Pela primeira vez, a programação trouxe convidados de outros países. Nomes de peso como Yvonne Steinert, Constanza Ovalle, Madalena Patrício e Jon Bergmann estiveram presentes nos quatro dias. Além das palestras internacionais, o evento contou com mais de 40 atividades, incluindo painéis, talkshows, laboratório de ideias e apresentações de trabalhos científicos.
“O Fórum vem possibilitando trocas muito proveitosas entre pesquisadores de todo o Brasil e, agora, até internacionais. Então essa é uma edição muito especial. Receber todos aqui para pensar de forma colaborativa, para buscar soluções e avanços na educação em saúde, é motivo de grande alegria para nós”, enfatiza a presidente da comissão científica do evento, Patrícia Forte Rauli, também diretora geral da FPP.
1° edição internacional
Metodologias ativas, responsabilidade social e desenvolvimento docente foram alguns dos temas abordados pelos conferencistas estrangeiros. Ao longo da programação, as reflexões propostas pelos especialistas reforçaram a importância da cooperação entre instituições, da inovação pedagógica e da formação de profissionais comprometidos com uma prática humanizada, ética e socialmente responsável.
Nas fotos, as professores Yvonne Steinert e Constanza Ovalle, respectivamente (Fotos: FPP)Referência mundial em educação em saúde e docente da Universidade McGill, no Canadá, Yvonne Steinert destacou a importância das conexões globais para o fortalecimento do ensino e para a construção de uma sociedade mais colaborativa.
“Eu acho que as colaborações internacionais são importantes porque nós podemos aprender uns com os outros. Cada um de nós temos diferentes experiências, diferentes históricos e diferentes culturas, e essa troca é extremamente importante. Estamos vivendo em um mundo cada vez mais fragmentado, onde existem guerras e tensões. E eu acredito que trabalhar juntos, entre culturas, nações e fronteiras, pode realmente ajudar, no futuro, a promover paz e compreensão”, afirma.
A presença de Constanza Ovalle, presidente da Rede UNESCO de Bioética para a América Latina e o Caribe também foi um ponto alto da programação internacional. Ao avaliar a experiência no Fórum, a pesquisadora colombiana destacou a forte conexão entre ensino, comunidade e responsabilidade social observada nas discussões realizadas durante o encontro.
“O Fórum foi uma grande oportunidade de conhecer experiências deste país maravilhoso. Além disso, levo uma grande surpresa comigo, que é a afinidade que existe no trabalho com a comunidade. De fato, quando se fala em saúde aqui no Brasil, não se fala somente em termos de saúde pública, mas também de saúde coletiva. E isso me encanta, porque acredito que realmente essa é a aproximação que devemos ter com as comunidades e com as pessoas que precisam melhorar suas condições de vida”, ressalta.
A professora Madalena Patrício e o professor Jon Bergmann também participaram em diferentes momentos do encontro (Fotos: FPP)
A portuguesa Madalena Patrício, coordenadora do Programa de Formação em Educação Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, destacou como um dos aspectos mais marcantes de sua passagem pelo evento o contato com o conceito de “amorosidade”, termo amplamente utilizado na FPP.
“A palavra amorosidade não existe em Portugal, eu nunca tinha ouvido. E realmente faz muito sentido, que é o ‘fazer com o amor’. Foi algo que me chamou muita atenção porque traduz uma forma de estar e de trabalhar aqui, especialmente na relação com a comunidade”, destaca Madalena.
Para a educadora, a instituição demonstra um compromisso genuíno com as pessoas e com a transformação social. “Sinto aqui uma maneira muito especial de fazer as coisas. Há união entre as pessoas e um ambiente muito acolhedor, algo que nem sempre encontramos em outras instituições”, observa.
O educador norte-americano Jon Bergmann, conhecido internacionalmente por ser um dos pioneiros do modelo de sala de aula invertida, também ressaltou o acolhimento recebido nas suas visitas ao Brasil. “Os brasileiros são simplesmente incríveis, eu realmente adorei estar aqui nas muitas vezes em que já vim. É um grupo maravilhoso de pessoas com quem tenho a oportunidade de trabalhar”, elogia.
Participações nacionais
O Fórum também reuniu importantes nomes do cenário nacional, com representantes de norte a sul do Brasil. As experiências compartilhadas por palestrantes, gestores e pesquisadores evidenciaram a diversidade de iniciativas desenvolvidas em todo o país.

Intervalos entre as conferências também foram um momento para compartilhar ideias e estreitar as relações. Na foto, está a professora Iêda Aleluia (Foto: FPP)
Em sua palestra, Iêda Aleluia, da Universidade do Estado da Bahia, falou sobre o processo avaliativo do estudante a partir da perspectiva da saúde mental. Para ela, incluir o discente nesta etapa enriquece o ensino-aprendizagem. “Quando falamos em avaliação, a gente já se sente um pouco estressado, julgado. Então eu vejo que é importante rever a forma como se avalia e como tem sido exercido o nosso papel enquanto professor”, explica.
Já Edna Regina Pereira, da Universidade Federal de Goiás, foi uma das integrantes de um talkshow sobre a contribuição da pós-graduação para a excelência do ensino. Na visão da docente, o Fórum possibilitou compartilhar experiências e desafios comuns entre pesquisadores de instituições distintas. “É a primeira vez que eu participo e foi uma alegria estar aqui. O evento como um todo foi além das expectativas e o que a gente espera é que esses vínculos continuem em futuras parcerias de pesquisa”, afirma.
Também presente, o atual diretor vice-presidente da Associação Brasileira de Educação Médica (ABEM), Estevão Toffoli Rodrigues, destaca as trocas de experiências promovidas pelo Fórum. “Eu vejo que uma riqueza muito singular do evento está em trazer questões vivenciadas na prática, o acúmulo de experiências de cada docente e estudante que está aqui. Acredito que essa troca dá vida ao que está na literatura e aponta os caminhos necessários para o sucesso da formação em saúde”.
Mais de 250 trabalhos submetidos
As apresentações de trabalhos científicos ocuparam grande parte da programação. Ao todo, foram mais de 250 submissões nas categorias pôster simples, pôster comentado, comunicação oral e validação de produto educacional.
“Antes do evento, todos os trabalhos foram avaliados pela comissão científica e, durante as apresentações presenciais, foram avaliados por docentes, mestres e doutores. O que posso dizer é que foram trabalhos belíssimos em termos de criatividade e efetividade, trazendo para a gente indicadores importantes”, salienta a professora Tatiana Forte, diretora de extensão da FPP e organizadora do evento.
Os trabalhos inscritos, bem como toda a programação, foram divididos em quatro eixos de aprendizagem: Inovações em Metodologias Ativas; Inovações em Avaliações; Inovações em Desenvolvimento de Currículo e de Docentes; e Inovações na Curricularização da Extensão (Fotos: FPP)
Fabiana Silva veio de Cuiabá para apresentar sua pesquisa no Fórum. A docente do curso de Medicina da Universidade do Estado de Mato Grosso apresentou o projeto de extensão de um clube de metodologias ativas que é coordenado por ela. “Hoje nós somos uma rede colaborativa de mais 600 professores do Brasil todo, fazendo leituras e estudos sobre métodos ativos de ensino, entre outros trabalhos acadêmicos, eventos e cursos on-line”, conta.
Em sua terceira participação no Fórum, a mestranda Viviane Rafaely trouxe um projeto de extensão desenvolvido com idosos. “Sempre trago trabalhos para apresentar e para ter essa troca, essa avaliação de outros pesquisadores. Poder mostrar um pouquinho do que é desenvolvido ao longo de um ano e compartilhar os resultados é bem gratificante, acredito que é assim que a gente cresce”, enfatiza.
Segundo a professora Tatiana Forte, cerca de um terço dos trabalhos submetidos correspondem ao eixo da Curricularização da Extensão e Responsabilidade Social. “Muitas práticas vieram em cada uma das categorias de apresentação. Isso mostra a importância que esse tema vem tomando e o lugar que ele está ocupando nos pensamentos, nas discussões acadêmicas”, aponta.
Todos os trabalhos concorreram à premiação por categoria e também ao Prêmio Destaque Científico Ivete Palmira Sanson Zagonel, que foi concedido ao trabalho “Delimitadores de objetivos de aprendizagem como estratégia para organização do Ensino Médico em currículos baseados em Metodologias Ativas”. Confira aqui a lista completa dos ganhadores.
Repercussão
Ao final do evento, os participantes retornam às instituições de origem abastecidos de novas ideias e inquietações. “Eu saio daqui com uma expectativa muito grande de chegar na sala de aula e implementar coisas novas. Conseguimos tirar muitas dúvidas sobre as metodologias ativas e avaliar se estamos seguindo no caminho certo”, compartilha a professora Juliângela Ribeiro, da Universidade Alto Vale do Rio do Peixe, em Santa Catarina.
“Nós conseguimos ter essas palestras com grandes nomes, tanto das metodologias ativas quanto da educação em saúde, de uma forma muito próxima e acessível. Foi um evento que possibilitou também encontrar os palestrantes pelos corredores, conversar com eles. Então foi bem bacana”, conclui a participante Viviane.
Você encontra todas as fotos no Banco de Imagens da FPP.










































